Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

O País do "Faz de Conta" agora vai ter que "Cair na Real"

 

E agora?

 

Agora que o esperado aconteceu (momento em que a crise já é chamada pelo nome e muitos até a designam de “financial crisis”, impondo um cunho de estrangeirismo tão apreciado por esta nação lusitana), será que vamos continuar a “fazer de conta”? Será que vamos continuar a dar prioridade a temas rocambolescos em vez de olharmos de frente para os problemas do país? 

 

Como cidadã estou saturada de tantos esquemas, tantas divagações, inúmeras distracções que nos levam a pensar em tudo menos naquilo que é importante: o desenvolvimento do nosso país.  

SEM dúvida que as bases da democracia - e de um sistema livre e democrático - não podem ser colocadas em causa, por isso a importância de discutir casos tais como o da PT/TVI, que mais não é do que uma suspeita de um atentado ao livre mercado, ao livre funcionamento da economia e da democracia de um país. E isso, no caso de vir a ser provado ter ocorrido, é grave. Muito grave. Mas mais grave ainda é utilizar todo o tempo útil de membros parlamentares, de governantes, de cidadãos, de jornalistas, de responsáveis empresariais a pensar naquilo – que a bem da verdade – não nos tira da crise (poderia qui ça ter ajudado a não entrar nela… mas isso dá assunto para uma outra conversa). Parênteses à parte, neste momento há que apurar factos mas sobretudo existe a necessidade de construir, de moldar, de pensar num futuro para o país. É preciso termos uma estratégia – que envolva miúdos e graúdos. Não nos podemos esquecer que o país não vive apenas das grandes empresas nacionais, que graças a Deus – e para bem da nossa Nação e de todos nós - existem. O país vive também - e sobretudo - dos pequenos e médios empresários, vive das indústrias e serviços tradicionais, vive de gentes que nem sempre têm cunhas mas – e ao invés - têm legiões de assalariados a quem têm que pagar no fim do mês. Essas gentes não podem ser esquecidas. Essas gentes, que reclamam do sistema democrático quando dizem “que estão todos ligados uns aos outros e que não conseguem neste Portugal furar – fazer negócios - sem conhecimentos”, têm que ter uma garantia de que vale a pena ser empreendedor.  Vale a pena passar algumas noites sem dormir (como acontece com tantos) a pensar onde vão buscar verbas. Não é fácil empreender, todos sabemos. Mas nem todos sentimos. Isto porque são poucos os que se aventuram; muito poucos os que entendem (ou simplesmente querem “tentar entender”).

 

Aqui pelas grandes cidades esquecemo-nos do português, que erradamente consideramos, pequenino; e deslumbrámos nos com aquele que entendemos como grandinho. Que mediocridade. Que atentado à sociedade e ao crescimento da mesma.

 

Isto não pode continuar! Quando num país tudo pára porque existem suspeitas, tudo está perdido. Quando num país não se dá o mesmo valor ao pescador empreendedor tal como a um Ceo, que também empreende, tudo está perdido. Quando num país se julgam as gentes pela dimensão do negócio em que estão envolvidos e não pela essência dos mesmos, tudo está perdido. Não nos esqueçamos que os homens não se medem aos palmos e que a vida dá muitas voltas….Tantas que o hoje pode não corresponder ao amanhã. E também por isso realmente acredito, ainda assim, que nem tudo está perdido porque existe um grande caminho a percorrer. Uma longa caminhada que começa por tomarmos consciência de que temos que ter uma ESTRATÉGIA para o país. Nessa temos que incluir “miúdos e graúdos” e nessa temos, também, que mergulhar. As entidades patronais têm que ser tão compreensíveis – e realistas – como os Sindicatos, que às vezes se esquecem de como é que um mercado funciona. É necessário gerar para distribuir. Sem produção não há divisão. Mas este lembrete vale para todos nós – e, também para o Governo, que tem a obrigação de pensar alto e de envolver todos os portugueses neste momento em que a união mais do que necessária é vital. 

  

Fomos habituados, nos últimos anos, a crescer num mundo de “facilitismo”. Num universo em que “tudo se resolve” e existe sempre alguém que nos dá a mão, mais do que não seja o Estado através dos subsídios de desemprego. Mas isso a ser “universo”, é utópico. Ninguém é superior aos factos. O nosso desemprego atinge os 2 dígitos, a miséria substitui a pobreza e os recursos são escassos. Quando a despesa é maior do que a receitas e as expectativas de crescimento do sinal MENOS são maiores do que as do sinal MAIS nesta equação que corresponde à nossa situação pública… a gestão torna-se complicada. Mas o quadro não fica por aqui. Isto porque num palco em que temos todas as personagens acima mencionadas, e depois alguns figurantes que - e enquanto o pano sobe - andam preocupados em “saber quem é quem” o que é que “fulano ou sicrano sabe”, “quem conhece”…enfim ... um mundo de faz de conta que espero um dia não ter que contar aos mais novos, que hoje não sabem, tal como nós, o que os espera. Também por eles vale a pena deixar de lado as futilidades do mercado e pensar grande. Pensar nos projectos estruturais, pensar no País. E quem tem essa obrigação são os que têm, por enquanto, o frigorifico cheio. Esses têm mais responsabilidade neste momento. Quem está faminto é natural que se preocupe em primeiro lugar em saciar a fome; quem apenas tem apetite deve procurar as fontes para o satisfazer.       

   

Por tudo isso hoje vos escrevi… vagueando e pensando, aqui, partilho as minhas preocupações que nem sempre encontro descritas nos livros que leio.

 

publicado por livrosemanias às 18:14
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9 comentários:
De Anónimo a 28 de Abril de 2010 às 19:41
Por um Portugal melhor!


De Augusto Küttner de Magalhães a 29 de Abril de 2010 às 17:37
Mafalda
Acho muito oportuno o que aqui escreveu.
De facto estamos, penso que 99% saturados, fartos de tanto “disse que disse” de tanta PT/TVI, de tanta telenovela, de tanto treatro, penso que todos achamos que o PM possa ter algo a ver com alguma coisa, mas nada, nada, nada do que se está há tanto, tanto, tanto tempo a passar na AR, nos traz: pão!

Basta!

Diga-me o que pensa? Os médias também não têm a sua quota-parte nisto? Ou seja é indispensável estarem focados sempre, sempre no mesmo? Não podem dar outras noticias?
Porque motivo quando a EFACEC vai para os EUA não é abertura de tudo o que seja noticiários, e fica lá para o fim?

Temos que mudar e muito, todos e depressa!

Gostei muito de aqui a voltar poder ler!

Augusto

Augusto Küttner de Magalhães


De Catarina Seguro a 30 de Abril de 2010 às 12:07
É preciso chamadas de atenção como esta, todos os dias, para não nos perdermos no que não é essencial! Obrigada por esta reflexão, Mafalda! Vou divulgá-la!


De Paulo Henriques a 30 de Abril de 2010 às 13:31
Gostei muito de ler o artigo mas acho que mais do que nos queixarmos do tempo perdido com PT/TVI devemos tambem olhar para o que esta a acontecer em termos de sociedade e largar o governo (atencao, eu nao gosto de Jose Socrates, portanto nao e' isto uma defesa)

Vivemos num pais que tem 13 mes, rendimento minimo garantido, subsidio de desemprego e cuja idade da reforma e' inferior a um pais como a Alemanha.

No entanto, todos olhamos para nos como pessoas que tem direitos garantidos. Ninguem vem a publico dizer que se calhar se houvesse uma reducao de funcionarios publicos e uma limpeza da casa de todos aqueles que, perdoem-me a expressao, "andam a mamar", entao haveria folgo para incentivar investimento de quem quer fazer algo.

Se calhar deviamos olhar para um pais que tem greves de transportes, enfermeiros, camionistas, correios, pilotos, etc, etc e pensar que se calhar o problema esta no portugues que so' pensa no seu umbigo e que teima em achar que ha coisas a que tem direito por simplesmente ter nascido.


De Augusto Küttner de Magalhães a 30 de Abril de 2010 às 14:46
Se fizermos comparações do que tínhamos há 40 anos e do que temos hoje....parece outro País. Muito, muito melhor.

Há 40 anos se ficassemos doente, para ir para um Hospital qual INEM, qual quê, ou nos colocavam no meio da rua para vir uma ambulância e depois se veria, ou pagávamos um muito por uma ambulancia que vinha quando visse!

Reformas, para poucos!

Saude...subsidios????»etc.....

Logo haja algum senso....


De miguel ferreira a 30 de Abril de 2010 às 20:43
Ola Mafalda,
Gosto de te ver por aqui, o mundo dos blogues. E de ler os teus posts lucidos, bem como os comentarios dos teus visitantes.
A minha opiniao esta formada ha muito sobre Portugal...ou melhor os Portugueses. Talvez seja defeito de viver fora. Um pouco mais de ambicao, um pouco menos de inveja, um pouco menos de queixume, menos estado, um pouco mais de iniciativa individual e estariamos muito melhor. Ah! e deem-me cabo dos sindicatos a la Fenprof. Sao do seculo passado e um entrave ao avanco do pais.


De bruno martin a 28 de Maio de 2010 às 18:27
Concordo em tudo o que aqui diz.
Mas iria ainda mais loge.
Num artigo do DE de hoje é referido que a banca vai tornar o credito mais caro(os spreads irão ser aumentados). O "credito barato vai terminar"??!!!

Eu pergunto : entao a banca que é a principal culpada disto. Quemos manda andar a investir da forma de que investem?? Sem o minimo de razoabilidade? Quererem ser maiores do que são na realidade??!!Quem os mandou?? Não de cereteza os seus clientes??!!

Por outra que raio de regulaçao temos nos na banca portuguesa??!!
O BdP é so fachada! Fiz uma reclamaçao há cerca de dois anos e a resposta recebida foi de uma total complacencia com o banco em causa.

Nao pode isto continuar assim.

Como é possivel sejam outra vez os mesmos a pagar pelo erro dos outros.

Vamos fazer um boicote a isto.

já.

vamos mudar isto e em breve.



De bruno martin a 28 de Maio de 2010 às 19:58
Pergunto eu ainda:

E os dirigentes nao tém culpa no cartorio?
Sim, claro!

E os portugueses não?!
Claro também.

Os primeiros são culpados quer por inercia quer pela acçao.
Então não é verdade de que estes tém tido, ao longo dos tempos, uma atitude complacente e muitas vezes benevola com os prevaricadores. Os que fogem aos impostos. Por uma economia paralela. Destroem assim uma economia já de si deficitária em muitos dos sectores de actividade produtiva portuguesa.
A questão que aqui se coloca é PORQUÊ?
Porquê é que os portugueses fogem.

Ora, porque é o proprio Estado a dar o pior exemplo .
Ao longo dos tempos este age como um veradadeiro despota. Impoe aos outros aquilo que não faz para si.
Quando age como se uma empresa se tratasse;
Quando nas trocas com o privado(fornecedores) não lhes pagando atempadamente;
O aumento dos impostos não é mais do que um "castigo" para fazer equilibras as contas relativemante à evasao fiscal. E quem paga é sempre o justo pelo pecador.Não faz a minima ideia o governo(este) de que assim só está a prejudicar os empresarios e, consequentemente, a economia.Desigdamente as PME's e micro-empresas.Que são, em ultima análise o sustento da nossa (pobre) economia.

Quando facilita às grandes empresas, que tém um grande poder economico (mas influenciam em muito o poder politico), através de subsidios e de outras parcerias-publi.privadas; Em relaçao à banca, quando lhes imputa apenas uns miseros doze % na carga fiscal(!!???).
Quando o governo(este) perdoa e obriga a CGD a transferir uns largos milhares de milhoes de euros para preencher o buraco financeiro que, abusivame te, criaram;
Quando, em relaçao aos gestores das tais empresas participadas do Estado, lhes desobriga de pagarem os impostos devidos dos seus altos rendimentos;

Quando o Estado invoca a actual crise( que como disse anteriormente te em muito ele é o principal culpado), para impor austeridade e depois ainda diz que os grandes projectos são para coninuar (apesar do homologo espanhol do ministro das obras publicas portugu~es(que já agora aquele ministério anda em autogestão). Está tudo dito.

Quando mesus amigos, o governo(este) teima em "acertar" io défice publico pelo lado da receita. Está tudo dito.
Mais inteligente seria faz~e-lo pelo lado da despesa. Mas não consegue porque é burro(com toda a frontalidade, sem medo). Qualquer aluno do 1º ano de economia fazia melhor.

Mas meus amigos aqui, no fundo temos de ir mais longe do que isto.

O governo(este) não saiu do nada. São pessoas. E , claro, estas saem da sociedade que nós temos.

Esta é uma sociedade que apenas vê em frente. Não olha para o futuro. Não sabe onde anda nem para onde vai.
As pessoas tiram seus canudos e pensam aqui vou eu. Vou ter já emprego. Mentira. Não podem pensar assim. Licenciam-se com base no status quo. Professores. Todos querem ser, mas não pensam por um pouco que para isso´, como para tudo é necessario vocaçao. Devem pensar em ajudar o país a melhor servir os outros e melhorar o hoje e o amanhã de todos os portugueses.

As pessoas estão as ser muito mal orientadas(não esquecamos que nos EUA, todos os cidadao norte-americanos tém um psicologo. Não para lhes tratar de uma qualquer maluqueira. Sim para os apoiar na vida.


continua...


De webnetpt a 3 de Dezembro de 2011 às 00:14
webnetpt_não apenas porque gosto. Obrigado! a Todos representados na MAFALDA


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