Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013

Quem paga o Estado Social em Portugal?

 

 

Raquel Varela, coordenadora do livro "Quem Paga o Estado Social em Portugal?" (Bertrand), responde e afirma que:

 

 

"Quem vive do salário em Portugal paga todos os seus gastos sociais".

 

 

LIVRO "PROVA", COM NÚMEROS E FACTOS, QUE O ESTADO SOCIAL É AUTO-SUSTENTADO in "Ideias em Estante" (04/01/2013)

 

Num momento de crise económica, em que a preocupação com a dívida pública é crescente - e em que a mensagem parece ser a a impossibilidade de continuar a sustentar um Estado, apelidado de "gordo" -, há quem defenda que o Estado é auto-sustentado e que não está, por isso, na origem dos monstruosos défices orçamentais e da estagnação económica.

"Quem vive do salário em Portugal paga todos os seus gastos sociais", afirma Raquel Varela, coordenadora do livro "Quem Paga o Estado Social em Portugal?" (Bertrand), obra que reúne ensaios de 18 especialistas de diferentes áreas e nacionalidades. "Este livro prova, com números e factos, que os trabalhadores portugueses contribuem para o Estado social com o necessário para pagar a sua saúde, educação, bem-estar e infraestruturas". Uma conclusão importante, que faz deste livro "uma obra a ler" independentemente da ideologia política do leitor e da simpatia, ou não, pelo neoliberalismo. A reter ainda que, e segundo a autora, "a massa salarial corresponde a 50% do PIB mas paga 75% dos impostos".

Numa semana em que as notícias dão conta de mais "austeridade" para os trabalhadores, leia um excerto das respostas da autora, que é a entrevistada da "Ideias em Estante", programa que pode ser visto, na íntegra, no ETV.

 

Como interpreta as notícias que dão conta de que as indemnizações por despedimento poderão ser cortadas para 12 dias de salário?

A redução das indemnizações visa reduzir os custos do trabalho, aumentando como consequência o lucro das empresas. Historicamente acho que esta medida, ao incidir sobre os trabalhadores que (ainda) têm direitos, nomeadamente o direito ao trabalho, coloca em causa a existência de um pacto social em Portugal. Ao reduzir-se as indemnizações dá-se um passo essencial para tornar toda a mão-de-obra precária, ou seja, mão-de-obra que só se usa em picos de produção e da qual se abdica em momento de crise. Socialmente as consequências para a vida de quem trabalha são devastadoras porque o desemprego e o subemprego aumentam. É espectável um aumento dos conflitos sociais e uma redução da base social de apoio da concertação social.

 

Quem paga o Estado Social em Portugal?

Sou coordenadora deste livro - em que participam outros 18 autores - e nós fizemos contas não só em relação aos gastos sociais do Estado - portanto à saúde, à educação, aos transportes, ao desporto, à Segurança Social - mas também fizemos contas em relação à contribuição dos trabalhadores emigrantes em Portugal, que são contribuintes líquidos para a nossa Segurança Social. (Ou seja, que pagam mais do que recebem). Mas não são só os emigrantes. Os trabalhadores, em geral, em Portugal - ou seja "quem vive do salário" (...), isto é, pessoas que não vivem nem de renda, nem de juro, nem de lucro - pagam todos os seus gastos sociais. Nós dividimos justamente estes quatro sectores e calculámos tudo o pagam para o Estado e quanto é que recebem do Estado. E na maioria dos anos há superávite. E portanto o Estado social, ao contrário do que diz o ministro, que mente quando o afirma ("que o Estado social não é pago pelos trabalhadores"), é auto-sustentado. (O que pode ser provado com números oficiais da UE e do INE). Gostava de salientar que estes dados, públicos, são altamente detalhados. As contas do Estado estão lá. E feitas as contas, concluímos que pagamos o nosso Estado social. E portanto não é legítimo vir reivindicar com a existência de uma dívida pública, e convencendo as pessoas a abdicar de uma saúde e educação dignas e de um emprego digno.

(Contiunação in vídeo entrevista ETV)

 

RAQUEL VARELA

Coordenadora do livro "Quem Paga o Estado Social em Portugal? Onde nos leva esta crise económica? O estado de bem-estar social europeu tem futuro? Dívida pública: dívida de todos ou negócio de alguns?"

É investigadora do Instituto de História Contemporânea da UNL e investigadora pós doutoranda do Instituto Internacional de História Social. Doutora em História Política e Institucional, Varela é Presidente da International Association Strikes and Social Conflicts e membro do board of Trustees do ITH-International Conference of Labour and Social History (Viena, Áustria).

 

Data: 04/01/2013
Publicação: DIÁRIO ECONÓMICO
Autor: MAFALDA DE AVELAR

 

 

 

 

Link da "Ideias em Estante" aqui

 

Outro texto onde este livro foi referido:

http://livrosemanias.economico.sapo.pt/40336.html

 

 

 

 

 

 

 

publicado por livrosemanias às 10:10
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10 comentários:
De André a 30 de Janeiro de 2013 às 22:53
É inacreditável a quantidade de trabalho que é desenvolvido para justificarem o despesismo, o parasitismo e o situacionismo neste país.

Tantas asneiras que são ditas, vejamos algumas:

« O que os portugueses pagam é suficiente para o Estado social ».
De facto isto é verdade ; os portugueses pagaram em 2012 em impostos (IRS, IVA, IRC, SS etc.) cerca de 58 mil milhões de euros, e a despesa pública em Saúde, Educação, CGA, SS e apoios sociais chega a cerca de 61 mil milhões em 2012 (depois dos cortes do Passos e do Gaspar). Mas pronto como pode haver algumas despesas que são contadas duas vezes, os dados ainda não são definitivos, eu admito que a despesa social chega aos 58 mil milhões. Por isso a senhora tem razão de dizer que os portugueses pagam o suficiente para o Estado social, mas não pagam o suficiente para pagar a Justiça, a Polícia, as Forças Armadas, os Consulados, as Embaixadas, as Obras Públicas, a Carris, a TAP, a RTP, as Águas de Portugal etc. Por isso se não queremos mudar nada na despesa social temos de PRIVATIZAR o resto. Portanto que não me venha com essas tretas de que a «austeridade não é necessária».

« As pessoas já não estão organizadas para fazerem os seus mecanismos de solidariedade »
Se calhar a culpa é do Estado social que desresponsabilizou as pessoas e as desincentivou em se preocuparem com os outros visto que não era necessário. Depois virá aquela de que podemos solidários a pagar impostos e a ajudar os outros, pois é mas dificilemente as pessoas terão paciência quando virão que parasitas recebem dinheiro

« A dívida pública é uma renda privada ».
Admitindo que o que pagaram os portugueses em impostos serviu sistematicamente o suficiente para pagar o Estado social nos últimos 40 anos, se a banca e as seguradoras (grosso modo) não tinham emprestado dinheiro ao Estado para pagar o resto não haveria NADA fora da despesa social ! Ou melhor, a Polícia, as Forças Armadas, a Justiça e afins deveriam ser obrigatoriamente privados ! Ou seja não fosse dada uma renda a essa gentinha, deveriamos pagar todos directamente por aquilo tudo que citei e sem diminuições de impostos, visto que seriam somente suficientes para pagar o Estado social. Pessoalemente preferiria assim, não sei se os outros portugueses concordariam com isso.

« A SS não aguenta dar reformas antecipadas para depois deixar as empresas contratar jovens precarizados »
Daah !!! Então porquê hão de existir reformas antecipadas ? Não fosse o mercado do trabalho tão rígido, os jovens seriam contratados e os velhos ou deveriam se adaptar às novas realidades ou eram corridos para fora e os jovens ocupariam o seu espaço. Assim claro estava à espera de quê ? Julgam que as empresas se podem dar ao luxo de acumular empregados se não consegue retirar nada deles ?

« Quando as pessoas se manifestam tendem a ter mais direitos sociais »
Pois é, até o dia em que não houver burros suficientes para carregar com eles.

« É um mundo de competição onde cada um se torna um lobo e onde os direitos sociais diminuem para todos »
Mas claro que vais ser assim se houver bandos de parasitas a viverem à custa dos outros ! Se há pessoas cujos rendimentos dependem do roubo organizado pelo Estado, isto significa que quem trabalha fica com menos, logo têm de ser mais « competitivo », mais lobo !


« Se um banco é demasiado grandes para falir é demasiado grande para ser privado »
Ou dito de outra forma, « se você for demasiado talentuoso deve ser escravizado ». Olhe eu tenho outra solução, se o banco é grande e vai à falência… deixamos o ir abaixo ! E volto a repetir, se não fossem esses grandes bancos NÃO HAVERIA Justiça, Polícia, Exército etc. públicos !

« Os bancos, a GALP, as empresas de energia e as exportadoras são rentáveis porque recebem fundos públicos »
Então parai dos subsidiar ! Cortai na despesa pública !

« O INEM recebeu uma verba, mas não foi utilizada por isso não podemos nos admirar que o Estado é gordo »
Portanto a austeridade, inclusive na despesa social não é uma má ideia. Se não utilizam o dinheiro então não é preciso o gastar.


De André a 30 de Janeiro de 2013 às 22:54
« Não se pode passar de 8 milhões a 1600 milhões num instante e dizer que a Segurança Social gastou mais, porque foi lá colocado momentaneamente »
Volto a repetir, significa que há despesa inútil na despesa social, logo temos de a cortar.

« Temos de nacionalizar a banca »
Olha, eu que pensava que a banca só ganhava dinheiro porque o Estado gasta dinheiro nas suas funções originais (Justiça, Polícia etc.). E já agora o que foi o BPN ? O BANIF ? O BCP ? E depois do PREC, não bastou pormos os portugueses durante dez anos a pagarem as empresas nacionalizadas que só criaram desemprego, pobreza e intervenções do FMI ? E vamos nacionalizar como ? Aumentando os impostos aos portugueses para os comprar ? Roubá-los aos seus proprietários ? E o que fazemos se as pessoas tiram de lá os seus depósitos ? Fuzilamo-os ?
« De aqui a pouco não há política monetária »
E por causa de quem ? De americanos,ingleses, suíços, japoneses e europeus dos bancos centrais que andaram anos a fio a injectar moeda na economia, para entre outras coisas menos em Portugal claro, pagar o Estado social. E agora querem o quê ? Monetizar a dívida ? Pois e depois as poupanças desaparecem e ficamos todos arruinados por causa dos preços que não param de aumentar. E fazemos o quê então ? Proibimos os preços de aumentar ? E quem vai querer trabalhar então se não pode fazer lucros ? Conseguiremos a proeza de termos os bolsos cheios de dinheiro que não vale nada e nada por comprar. Boa !

« Um sexto da população mundial passa fome, isto enquanto nos venderam que capitalismo e a competição iria melhorar o mundo »
Pois é, mas há 30 anos átras era os três quartos a passar fome. E há duzentos anos átras era quase toda à gente. Agora já temos inclusive mais gente obesa do que a morrer de fome, isto graças ao malvado capitalismo.

« Começamos como macacos e acabamos a gerir aeroportos »
Pois mas para isso é preciso TRABALHAR, é preciso termos o desejo de ENRIQUECER, sermos EGOÍSTAS, ou seja é preciso capitalismo.

Estas pessoas falam, falam, falam, gostaria saber quanto tempo da sua vida e do seus rendimentos dão aos outros. Brincar com o dinheiro dos outros todos podem, com o nosso…



De mafalda avelar a 31 de Janeiro de 2013 às 13:02
Caro André,
obrigada pelos seus comentários.
Gostaria de ter o seu contacto/e-mail. É possível enviar-me o mesmo?
Obrigada.



De André a 1 de Fevereiro de 2013 às 10:40
Cara Mafalda,

não precisa de me agradecer, limitei-me a dizer o que me pareceu óbvio. Eu é que lhe agradeço por me deixar exprimir a minha opinião.

Posso lhe dar o meu contacto mas gostaria saber primeiro porquê.

Cumprimentos.


De mafalda a 1 de Fevereiro de 2013 às 12:26
Caro André, a razão pela qual lhe estou a solicitar o seu e-mail é porque gosto sempre de tentar entender os diferentes pontos de vista.
Mas gosto, também e sempre que possível, de saber com quem estou a falar.
Neste espaço - e também na "Ideias em Estante" - por vezes convido "quem não concorda" com as ideias dos autores para partilharem as razões. E apresentarem os seus pontos de vista.
Algo que é sempre muito positivo para o debate.

Uma vez mais: muito obrigada!
Cumprimentos,
Mafalda


De André a 1 de Fevereiro de 2013 às 12:50
Muito bem, obrigado pela informação e parabéns pela forma como dirige o seu programa ao estimular assim o debate.

O meu email é andre.pg91@gmail.com, e o meu nome é André Pereira Gonçalves.

Um detalhe: como deve ter reparado o meu comentário foi feito sobre as declarações de Raquel Varela durante a entrevista que lhe concedeu. Ainda não li o seu livro, mas atendendo ao que a Raquel disse duvido que haja grandes diferenças ou novidades no livro que me obrigem a modificar substancialemente o meu comentário, mas logo que poder lerei-o.


De Observator a 31 de Março de 2013 às 19:36
o seu discurso é muito bonito mas esta a comparar o incomparável , não se pode comparar o mundo de há 200 anos com o mundo actual, o capitalismo é um câncer da nossa sociedade, o que se esta a verificar é os trabalhadores a serem cada vez mais escravizados para os que tem o dinheiro ficarem cada vez mais ricos, eu compreendo a sua posição porque é claro o grupo ao qual pertence, mas por este caminho onde chegaremos? já há saúde pa ricos e des saúde para pobres estudos cada vez mais só para quem se da ao luxo, a teoria capitalista é muito bonita o egoísmo que leva ao melhor para a sociedade e tal, mas o que acontece é que este EGOÍSMO não tem limites, chupa as pessoas ate ao osso, que trabalham uma vida inteira e não tem dinheiro sequer para uma casa tem que se endividar exactamente a estes capitalistas para a obter, mas será que estes todos bens não são os trabalhadores que os produzem? porque alguns tem que ter tudo e outros nada? vocé acha que merece mais do que os outros por muito provavelmente ter nascido numa família rica que lhe proporcionou todas as condições para estudar se formar e ter um nível de vida decente? este trabalho dessa autora e os seus colegas é excelente, explica muito bem a realidade, o que andam a fazer e enganar as pessoas e a escravizaras . Capitalismo não é mais do que um novo tipo de escravatura em que as pessoas trabalham a vida inteira para pagar uma renda através dos impostos aos detentores de capital que "emprestam" dinheiro a estes mesmo estados.


De Antonio a 31 de Janeiro de 2013 às 14:01
André, és o maior!


De luis a 1 de Fevereiro de 2013 às 01:33
Nao da para concordar conm estas criticas ao livro. Ja li este bom livro .


De delisse a 26 de Fevereiro de 2015 às 15:26
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