Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013

Insolvências: "A forma mais fácil de negociar é obtendo confiança"

Conheça no final deste post o Top 10 do Económico

 

"A forma mais fácil de negociar é obtendo confiança"

 

INSOLVÊNCIA É A PALAVRA QUE, EM TEMPOS DE CRISE, DOMINA O MUNDO EMPRESARIAL. E PESSOAL.

O LIVRO "O CREDOR TOCA SEMPRE DUAS VEZES", QUE é HOJE LANÇADO, AJUDA A ENCARAR O PROCESSO LONGE DA VERGONHA E DO ESTIGMA SOCIAL.

 

Na semana em que a Cosec anunciou que as falências em Portugal, em 2012, aumentaram 41% face a 2011 e que "72% dos portugueses não conseguem pagar as contas no final do mês", como foi ontem noticiado pelo Económico - o que constitui uma das maiores percentagens da UE, apenas secundada pela Bulgária e a Grécia - Nuno da Silva Vieira, advogado, lança a obra "O Credor Toca Sempre Duas Vezes" (Esfera dos Livros). Sendo um dos primeiros guias "para evitar a insolvência", este livro apresenta casos, dicas e muitos conselhos jurídicos. Leia a entrevista ao autor da obra, que é lançada hoje.

Como interpreta os números, divulgados ontem, que dão conta de 6.688 insolvências em 2011?

São números inquietantes, mas que devem ser vistos com optimismo. Não quero acreditar que o número de insolvências decretadas continue a este ritmo. Os últimos indicadores apontam para um 2013 com alguns factores associados às recuperações económicas e devemos centrar-nos nesse objectivo. Está na hora de voltarmos a acreditar em Portugal. A língua portuguesa vai assumir-se como indispensável para os negócios internacionais e pode obrigar os investidores a comprarem o nosso conhecimento para chegarem ao mundo lusófono. Pode parecer contraditório, mas Portugal é uma aposta fulcral para o futuro e para a prosperidade.

Em caso de insolvência, quais as melhores estratégias a seguir, para as empresas e para as pessoas em nome individual?

O tema do endividamento excessivo sempre foi motivo de preocupação das famílias e das empresas, aliado a uma vergonha social instalada. Pretendo, contudo, passar ao leitor a ideia de que as dívidas são situações normais de uma convivência em sociedade e existem para corrigir situações de desequilíbrio. Muitas vezes, os particulares e as empresas não conseguem gerir estas conjunturas e necessitam de aconselhamento de profissionais experientes. Perante uma insolvência iminente, pode optar-se pela negociação, por planos de recuperação ou por processos judiciais com perdão de dívida ou de parte da dívida.

Dicas de como obter perdão da dívida? E como negociar com credores?

Costumo dizer que a forma mais fácil de negociar é obtendo confiança. O credor não espera ser encantado pelo devedor - ao invés, já criou uma ideia negativa que dificilmente poderá ser alterada. O efeito surpresa poderá revelar-se surpreendente se o devedor o souber aproveitar, na sua máxima extensão negocial. Ou seja, o credor, ao aceitar uma reunião com o devedor, não irá criar grandes expectativas. Deverão ser apresentadas formas sérias de pagamento e o discurso deve ser positivo, sem lamentações ou culpabilização de terceiros. A iniciativa deve pertencer ao devedor e devem ser dominadas as técnicas de negociação.

Que técnicas são essas? E como podem ser adquiridas?

Devemos distinguir dois tipos de técnicas negociais. Aquelas que dizem respeito ao próprio devedor e as que são usadas pelos profissionais experimentados - estas últimas resultado da experiência e da profissionalização. Na minha organização já representámos dezenas de clientes em processos de insolvência e essa experiência permite-nos antecipar posições processuais e formas de agir. Contudo, os particulares e as empresas podem usar várias outras técnicas, tais como responder sempre ao correio, apresentar propostas de pagamento verdadeiras, renegociar ao invés de deixar de pagar as prestações e apresentar alternativas ou períodos de carência.

Qual o maior ensinamento que retirou da escrita deste livro?

Com este livro, cheguei à conclusão de que existe sempre uma solução para o endividamento excessivo. Os estados fazem leis dirigidas à recuperação das pessoas com um único intuito: recuperar cada um dos devedores e trazê-los, de novo, para a vida social. Os devedores não têm que esconder-se, devem, antes, contribuir para a riqueza do país. Todos somos importantes e a todos são conferidos os mesmos direitos. É preferível perdoar a dívida a um devedor, deixando-o voltar ao contrato social, pagando os seus impostos e contribuindo para o produto interno, do que eliminar socialmente os cidadãos. Um cidadão sem alternativa viverá à margem do Estado em plena economia paralela.

Refere que existe uma vergonha social instalada. Em que consiste? Como se lida com ela? E de que forma dificulta o processo de negociação?

Essa vergonha social estava enraizada na nossa cultura. Lembramo-nos das estórias dos nossos avós, incentivando à validade das "palavra", de outrora, em contraste com os contratos de hoje. A palavra valia. Portanto, os insolventes eram vistos como os fracos da sociedade e aqueles que não honravam a sua palavra. Hoje, numa visão mais americanizada, percebemos que a insolvência é apenas um estado na vida económica e financeira das pessoas e das empresas. Veja este exemplo: sempre que a banca contrata um crédito com um particular já conta com uma percentagem de risco de crédito mal parado. Essa gestão do risco faz parte da economia e do lucro. Depende de quem vai representar esse papel social.

Essa vergonha tem alguma peculiaridade em Portugal?

Acho que sim. Os portugueses são muito envergonhados. Por vezes até têm vergonha do país. Está na hora de lutarmos por um lugar na nossa recuperação económica e na nossa afirmação internacional. Vamos sair reforçados desta crise instalada e devemos lutar contra os falsos medos e as vergonhas provincianas. Veja que a compra de dívida é um negócio próspero. As dívidas não são uma vergonha. Vergonha é não querer pagar. Para isso não encontro solução. É, simplesmente, má educação.

 

Data: 01/02/2013
Publicação: DIÁRIO ECONÓMICO
Autor: MAFALDA DE AVELAR

 

 

TOP 10 dos livros de economia e gestão mais vendidos

 

de 14 a 20 de janeiro de 2012

 

1

Basta!

Camilo Lourenço/Matéria Prima

 

(Clique aqui para assistir à entrevista ao autor)

 

2

Marketing de Seguros

Manuel Leiria/Escolar

 

 

3

Harvard Trends - 45 Tendências de Gestão

Pedro Barbosa/ Vida Económica

 

 

4

O Livro das Decisões

Mikael Krogerus/Marcador

 

 

5

SNC - Sistema de Normalização

V.A./Porto Editora

 

6

Criar Modelos de Negócios

Alexander Yve/Dom Quixote

 

7

O Banco - Como o Goldman Sachs dirige o mundo

Marc Roche/A Esfera dos Livros

 

(Clique aqui para assistir à entrevista ao autor) 

 

 

 

8

Estratégia e Competitividade

Luís Cardoso/Verbo

 

9

A Tempestade - A Crise Económica

Vince Cable/Bizâncio

 

10

Quem Mexeu no Meu Queijo

Spencer Johnson/Pergaminho

 

 

Este top foi publicado na coluna "Ideias em Estante", publicada na edição de 6f do Diário Económico.

 

O Top Económico apresenta as obras de Economia e Gestão mais vendidas. É elaborado com a colaboração da Almedina, Babel, Barata, Bertrand, Book.it, Bulhosa e Fnac.

 

publicado por livrosemanias às 17:38
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