Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

Resgate das Famílias e das Empresas

João Gil Pedreira, autor do livro "Resgate das Famílias e das Empresas" é o convidado da "Ideias em Estante".

 

 

 

 

 

 

 

Ideias em Estante

 

"É necessária uma nova óptica de resgate de famílias e empresas"

 

Economista defende que deve existir um modelo de resgate na sociedade. Perante um novo paradigam, a banca tem também de repensar a sua estratégia.

 

São cada vez mais as famílias e as empresas que vivem com "a corda ao pescoço". Muitas necessitam apenas de um trampolim (uma estratégia), defende João Gil Pedreira, autor de "Resgate das Famílias e Empresas do Sobreendividamento Crónico" (editado pela Sopa de Letras). Para o economista, "as famílias precisam que lhes apresentem caminhos para a recuperação - de consolidação, reestruturação ou mesmo insolvência - que lhes permita viver com dignidade nestes próximos anos". O autor, convidado do programa "Ideias em Estante" (Etv) desta semana, explica como.

 

É necessária uma nova óptica de resgaste para sairmos da crise? Se sim, qual deve ser?

Não há qualquer dúvida de que é necessária essa nova óptica. Se não questionarmos o modelo actual de resgate de Estados e bancos, onde se perpetuam decréscimos de produção de riqueza nesses mesmos Estados e prejuízos avultados nesses mesmos bancos, e se não se colocar em cima da mesa a possibilidade de resgatarmos as nossas famílias e empresas, indo ao encontro de forma indirecta do próprio resgate dos Estados de que fazem parte e da própria banca com que se relacionam, estaremos a condenar as sociedades do mundo ocidental e as suas famílias a um processo de pauperização tremendo, resultante de espirais recessivas acentuadas.

 

O que é que a banca deve fazer para ajudar a alterar o paradigma actual?

Permitir-se olhar para fora de si e ver um problema que foi criado em grande medida pela insustentabilidade da sua actividade nas últimas décadas. Mas, se tiver agora suficiente boa vontade, poderá contribuir, através da edificação de um novo paradigma de actuação, não apenas para a resolução do problema do sobreendividamento, ou pelo menos para o mitigar do sofrimento social e humano decorrente deste drama, mas também para o traçar de um caminho de sustentabilidade para si mesma. Quando se fala no meu livro de uma banca de resgate, ou de práticas de concessão e de recuperação de crédito responsáveis, está-se também a convidar a banca existente a repensar a sua estratégia, visando não apenas harmonizar a sua actividade em relação ao mundo que a rodeia, mas também traçar caminhos de sustentabilidade, onde fora deles a banca é hoje um dos sectores mais ameaçados.

 

Como se podem dar incentivos às famílias e à banca?

As famílias precisam que lhes apresentem caminhos para a recuperação - de consolidação, reestruturação ou mesmo de insolvência - onde se consiga viver com dignidade nestes próximos anos. Quanto à banca, penso que o maior incentivo que se pode dar é o entendimento de que, se não forem apresentados esses caminhos de recuperação às famílias, será a própria banca o primeiro sector a sentir o agravamento das dramáticas consequências disso mesmo, através do crescimento contínuo e exponencial dos níveis de incumprimento.

 

Se tudo se mantiver (em termos de sobreendividamento), para onde caminhamos?

Para uma progressiva pauperização das famílias e insolvência das empresas portuguesas, e de uma forma geral de todo o mundo ocidental, e para a insustentabilidade dos mercados de crédito.

 

Quais são as soluções?

Uma banca de resgate, sustentada na relação, na confiança, na consolidação e no controlo de riscos futuros, envolvida num ecossistema em unidade e harmonia para defrontar este flagelo. Refiro-me a uma nova legislação de insolvência e de exoneração de passivo, novas medidas regulamentares para o mercado de crédito, práticas responsáveis na concessão e na recuperação de dívidas por parte das entidades existentes, e na criação de uma vasta rede de apoio e aconselhamento às famílias sobreendividadas, de criação e de desenvolvimento de literacia financeira e de ensino de estratégias de recuperação do sobreendividamento.

 

João Gil Pedreira

Licenciado em Economia, pela Universidade Católica Portuguesa, tem desenvolvido a carreira na área de consultoria estratégica (banca, seguros e telecomunicações). Fundador da Bridges Advisors, entidade que se dedica ao aconselhamento na área do empreendedorismo económico, sustentável e social, Gil Pedreira dedica-se hoje a um dos temas do momento: o estudo da dívida e do sobreendividamento. Este livro é um dos seus projectos nessa área.

Emissão da "Ideias em Estante" às terças-feiras, às 14h45; com repetição às 23h45. Sábados às 16h45; e Domingos, às 19h30

 

 (07/06/2013/DIÁRIO ECONÓMICO/MAFALDA DE AVELAR)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por livrosemanias às 17:31
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