Sexta-feira, 21 de Junho de 2013

"A economia lá de casa"

"O que mais falta lá em casa é confiança no futuro"

 

Autor defende que só com confiança é que haverá condições para avançar com negócios, gerar emprego e investimento. 

 

É cada vez mais díficil pagar as contas da casa. Além dos custos fixos, os variáveis são, com o passar do tempo, invariavelmente mais pesados. Uma carga que requer "o controlo financeiro da nossa vida", como defende João Martins, autor d'"A Economia lá de casa", a propósito do sobreendividamento das famílias portuguesas e da necessidade de conhecer em profundidade alguns conceitos e a forma como as instituições bancárias funcionam. Qual a melhor forma de pagar uma dívida e como ter um plano de poupança são algumas questões a que o autor tenta responder.

 

O falta na 'economia lá de casa' de muitos portugueses?

Por muito que se fale de dinheiro, emprego ou desendividamento, o que mais falta é confiança no futuro. Só com confiança haverá condições para gastar mais e alimentar a economia, mas também só com confiança haverá condições para o cidadão comum arriscar e começar o seu negócio e gerar emprego e investimento. É por isso que dediquei um capítulo aos próximos 15 anos, para alertar os leitores sobre o que nos espera e como ultrapassar os obstáculos que surgem no caminho, bem como aproveitar as inúmeras oportunidades que as crises acarretam. Os tempos que vamos viver serão extraordinários e requerem medidas e atitudes também elas extraordinárias.

 

O que tem de saber para gerir o seu dinheiro?

Precisa de saber fazer escolhas e organizar prioridades. Tudo na vida são escolhas e, quanto mais informadas forem, mais rentáveis se tornam. Já com as prioridades é um pouco diferente, é necessário fazer uma introspecção mais profunda e perceber cá dentro o que realmente tem valor. E não estou a falar de coisas tangíveis como a alimentação ou a educação. Estou a falar de prioridades e escolhas em coisas intangíveis, como o que nos traz felicidade e bem-estar. Um dos principais problemas das depressões ligadas a esta crise é a dependência do consumo que os portugueses têm quando se sentem frustrados. Mas agora, com a frustração do emprego ou das dívidas em plena acção, não temos dinheiro para afogar essas mágoas a consumir.

 

Como é que este livro ajuda quem está perdido com dívidas - e dúvidas?

Ajuda sobretudo a explicar como tudo funciona, como o sistema está montado para nos aliviar a carteira do nosso dinheiro e como construir um castelo financeiro para resistir a esses ataques implacáveis do sistema bancário e de consumo. É impossível tomar o controlo financeiro da nossa vida sem que saibamos primeiro "de que morte morremos". O livro apresenta soluções criativas para problemas financeiros apelidados de "irresolúveis". Ensina também a pensar como um banqueiro, de forma a podermos falar com a banca no mesmo registo linguístico.

 

Dicas essenciais para gerir o orçamento....

Escolheria, em primeiro lugar, a de nos pagarmos a nós próprios. É assim que todos os grandes magnatas fazem e não há razão alguma para que não o façamos também. Isto significa que a poupança (o verdadeiro dinheiro que temos) deverá ser a primeira coisa a fazer e não a última. Temos infelizmente uma cultura empresarial distorcida, onde o lucro é o que sobra depois de pagar todas as despesas. Mas na verdade o lucro de uma empresa (ou poupança de uma família) deverá ser a primeira fatia a ser retirada do bolo. Só com o que sobra é que devemos aplicar os custos, o que nos obriga a mantermo-nos dentro do nosso orçamento. Outra grande dica é a da famosa lista de compras. Os golpes de 'marketing' por parte das grandes multinacionais são tão fortes que nunca deveremos deixar o momento da decisão para a altura das compras. O 'marketing 'e a psicologia do consumo são áreas onde se gastam biliões para saber tudo sobre o consumidor. Fazendo a lista de compras, estamos a tomar a decisão da compra dentro do nosso território (a nossa casa) e não no do "inimigo".

 

De forma geral, onde e como gastam os portugueses o seu orçamento?

Não há, infelizmente, estatísticas sobre os gastos com dívidas que as famílias têm mensalmente. Tirando as dívidas bancárias, encontramos gastos absurdamente altos com comunicações móveis. Os transportes e as utilidades (água, energia) estão cada vez mais presentes no orçamento doméstico pelo que representam já um custo a ter em conta em qualquer orçamento doméstico. O que esta crise traz é um aumento significativo do peso de coisas básicas como a alimentação, as utilidades e as comunicações, e uma diminuiçao dos gastos com extras como o consumo e o lazer. Este comportamento é típico das crises.

 

Data: 21/06/2013
Publicação: DIÁRIO ECONÓMICO
Autor: MAFALDA DE AVELAR

 

publicado por livrosemanias às 15:38
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