Literatura económica apela ao "basta!"
Este texto foi publicado dia 14 de dezembro de 2012... mas, hoje, passado um mês, tudo se mantém na mesma NO QUE TOCA às temáticas que aquecem o mercado editorial... o "Basta!", de Camilo Lourenço, continua a liderar o top do Económico.
DA ESQUERDA À DIREITA TODOS OS AUTORES QUEREM O MESMO. MUDAR. VERBO, ESSE, QUE CURIOSAMENTE FOI O TÍTULO DO LIVRO DE PASSOS COELHO. EM 2010.
Duas obras e dois autores, ideologicamente distintos, cruzam-se, em pleno mês Dezembro de 2012, nas estantes de uma livraria, de uma avenida, de um reino, que outrora foi monarquia e que hoje é uma república democrática. Intervencionada.
Quem são? Raquel Varela, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e coordenadora de "Quem Paga o Estado Social em Portugal?" (Bertrand) e Camilo Lourenço, jornalista e autor de "Basta!" (Matéria-Prima).
Apesar de aparentemente estes dois autores nada terem em comum, os mesmos estão unidos por uma só inquietude: o que nos espera o futuro?
O que discutem estes dois autores? O estado do País.
O que os une? O facto de estarem fartos "da crise" e de quererem mudança. Mesmo que de formas bem distintas. (De notar que quem também queria "Mudar" era Pedro Passos Coelho, quando em 2010, antes das eleições, que lhe dariam a vitória enquanto líder do PSD, lançou uma obra ao estilo americano de compromisso de partida).
Parênteses à parte, mudam-se os tempos, mas nem por isso as vontades, e passados dois anos, dois autores, com dois livros bem diferentes e com objectivos, também eles, muitos distintos, querem alterar muitas das situações de precariedade com as quais o País se defronta actualmente. Não são únicos. Nas escritas "económicas" são cada vez em maior número os autores que apelam à mudança e à interpretação dos dadaos estatísticos, independentemente da cor político-ideológica.
Repetindo, com uma visão bem distinta de Raquel Varela, Camilo Lourenço advoga, por exemplo, que a austeridade é fundamental. Pergunta o autor "depois de três bancarrotas em 36 anos, caso único na Europa, será que ainda não aprendemos a lição?". No que se pode chamar de, ainda assim, discreto "alinhamento" com algumas das medidas tomadas pelo Governo, Camilo usa o seu estilo bastante directo (factor que também o coloca no pódio dos autores bestsellers) e defende que é necessário ditar regras que levem ao crescimento e desenvolvimento do país. Sobre o grande problema da Nação, esse, consiste na "falta de produtividade", diz Camilo Lourenço, numa entrevista que pode ser vista na íntegra na "Ideias em Estante", no ETV.
Debruçando-se, também, sobre a variável "L" (trabalho), mas de ângulo distinto, o estudo coordenado por Raquel Varela apresenta dados sobre o Estado social do País. Segundo nota dos autores "este livro prova com números e factos que os trabalhadores portugueses contribuem para o Estado social com o necessário para pagar a sua saúde, educação, bem estar-estar e infra-estruturas". Segundo Raquel Varela, que também deu uma entrevista ao Etv, "a massa salarial corresponde a 50% do PIB mas paga 75% dos impostos." O que se passa afinal? "Onde nos leva esta crise económica?" são assim algumas das questões levantadas pelos autores deste livro, Uma vasta lista de nomes que discute a fundo o Estado Social português e que levanta, em boa hora, uma pertinente questão: será que é justo não usufruir daquilo para o qual contribuímos?
Uma boa questão, que pode ser analisada através da leitura deste livro.
(publicado a 14/02/2012)